Público tem oportunidade de explorar vida e obra de Ruth Guimarães Botelho na mostra, que fica aberta à visitação por cinco dias na Casa SP Afro Brasil
Raphaela Dias
Lorena
Para celebrar a contribuição significativa de Ruth Guimarães Botelho à literatura e à cultura afro-brasileira, a Casa SP Afro Brasil “Vereadora Odila da Conceição Silva”, em Lorena, prepara uma exibição dedicada à escritora. A mostra, que reúne obras representativas da romancista, será aberta ao público, de forma gratuita, sexta-feira agora (17), a contar das 19h.
Reconhecida como a primeira escritora brasileira negra a ganhar previsão nacional, Ruth nasceu em Cachoeira Paulista, em 1920. Poeta, romancista, contista, cronista, jornalista, tradutora e professora, ganhou visibilidade com a inauguração de seu primeiro livro em 1946, “Água Funda”, que aborda a transição entre o final da escravidão e o começo do século 20.
“Sua obra aborda questões sobre identidade, resistência e a experiência negra no Brasil, o que a torna uma figura essencial a ser homenageada. Essa homenagem não apenas celebra sua vida e legado, mas também inspira novas gerações a valorizar a diversidade cultural e a história afro-brasileira”, contou o coordenador da Casa SP Afro Brasil de Lorena, Denilson Costa.
Inaugurada através do Governo do Estado em cooperação com a Prefeitura de Lorena no mês de julho do ano passado, a Casa SP Afro Brasil tem como objetivo promover a igualdade racial, além de funcionar como um espaço de preservação e difusão da história, tradições e contribuições dos cidadãos negra. Segundo Costa, o local já tem um planejamento anual de eventos.
“Realizamos eventos, exposições e atividades educativas que fomentam o diálogo e a reflexão sobre questões raciais e sociais. Os próximos destaques incluem a continuidade da exposição e eventos temáticos relacionados aos povos originários, Dia da Consciência Negra, e sobre a necessidade em fazer valer as leis nº 10.639 e nº 11.645 na educação”, afirmou.
A mostra “Ruth Guimarães: a voz do povo invisível na literatura” deve contar com as principais obras literárias, manuscritos, cartas e documentos pessoais da romancista, além de itens raros e inéditos. O filho da autora, o escritor e jornalista Joaquim Maria Botelho, também dará uma palestra na abertura do acontecimento, abordando temas como igualdade racial e representatividade negra.
A exibição permanecerá disponível até o próximo dia 21, na Casa SP Afro Brasil, que fica na rua Dr. Alcydes da Costa Vidigal, s/n, no bairro Nova Lorena. Na sexta-feira (17), o acontecimento começa às 19h. Já no sábado (18) e domingo (19), a visitação será das 9h às 11. Nos últimos dias, 20 e 21 de janeiro, o público conseguirá conferir a mostra das 9h às 11h e das 13h às 19h.
“Esperamos que o público leve consigo uma reflexão profunda sobre a importância da diversidade cultural, a valorização da literatura afro-brasileira e a consciência sobre as lutas históricas e contemporâneas do povo negro no Brasil. Que essa experiência inspire um compromisso com a igualdade e a justiça social”, finalizou o coordenador do espaço.

