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    Dosimetria volta ao Congresso nesta semana com iminente derrota do Planalto

    27 de abril de 2026
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    Dosimetria volta ao Congresso nesta semana com iminente derrota do Planalto

    O Congresso Nacional faz, na próxima quinta-feira (30/4), a primeira sessão conjunta de 2026. Com pauta única, senadores e deputados vão examinar se derrubam ou mantêm o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao projeto de lei da dosimetria.

    A proposta, aprovada no final de 2025, em um dos piores momentos na relação entre Lula e o Legislativo, sugere redução de penas para os condenados pelos atos do 8 de Janeiro e pode trazer benefícios para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ela foi vetada integralmente através do petista.

    O que diz o PL da dosimetria

    Para pessoas condenadas por mais de um dos crimes contra instituições democráticas listados no Código Penal, necessitará permanecer a pena mais severa, não podendo mais ter a cumulatividade de tempo de reclusão. A pena conseguirá ser reduzida em dois terços se os crimes forem cometidos em contexto de multidão — desde que o condenado não tenha exercido papel de chefia ou de financiador. Condenados por crimes contra o Estado Democrático de Direito, mesmo em casos de reincidência, terão direito à progressão de regime se tiverem cumprido ao menos um sexto da pena. Através da proposta, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e 3 meses por chefiar um plano golpista depois de a derrota nas eleições de 2022, poderia ter a pena reduzida para em torno de dois anos em regime fechado. A votação, convocada através do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), existe duas semanas, será mais um teste de força política para a base de Lula e da oposição à frente das eleições gerais de 2026. Apoiadores de Bolsonaro querem impor “uma derrota acachapante” ao PT.

    Com uma base majoritária na Câmara, a oposição pretende dar mais de 300 votos através da derrubada do projeto da dosimetria. A intenção dos chefes partidários é repetir o placar de 291 votos na aprovação da matéria no mês de dezembro.

    O placar com larga vantagem para a oposição também faz parte das previsões pessimistas de governistas, que estipulam que o veto seja mesmo derrubado.

    Por outro lado, os parlamentares esperam colher vitórias simbólicas da derrota. A avaliação é que a retomada da lei de redução de penas para condenados pelos atos pode gerar repercussão negativa e mobilização popular.

    Eles citam como exemplo a reação nas redes, com hashtags como “Congresso inimigo do povo”, registrada em 2025 durante a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Blindagem.

    A PEC da Blindagem previa restringir a atuação da Corte, ao exigir autorização prévia do Congresso para processar parlamentares e ampliar proteções, como o foro privilegiado. Foi derrubada quando chegou ao Senado.

    Entre governistas, a avaliação é de que Lula já fez sua parte ao vetar o segmento sobre a dosimetria das penas, em um gesto com forte apelo simbólico ao marcar a decisão em 8 de janeiro deste ano, data em que os ataques completaram 3 anos

    Apoiadores de Lula também levantam a possibilidade de protocolar ações no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar barrar de novo o texto, dando a palavra final ao plenário da Corte, que já fica em rota de colisão com o Congresso.

    Em um cenário em que Lula tenta avançar com a proposta de final da escala 6×1 — modelo em que o trabalhador age seis dias seguidos e tem unicamente um de descanso —, a base apoiadora busca impedir conflitos diretos com a cúpula do Legislativo.

    Parlamentares apontam que o tema exige uma articulação cuidadosa, para não desgastar a relação com o Congresso e comprometer a tramitação de outras pautas prioritárias do governo, principalmente na Câmara, onde o governo Lula tem detectado maior resistência.

    No Senado, o clima é de incerteza Se na Câmara o clima é de uma vitória estrondosa para a oposição, no Senado, tanto a base do governo quanto bolsonaristas ainda veem incertezas no futuro do veto da dosimetria.

    Isso se dá porque, na Casa, o governo Lula tem mais espaço de manobra para tentar manter o veto ao projeto, que foi aprovado no mês de dezembro por 48 votos.

    Para a derrubada, é fundamental que a maioria absoluta das duas casas rejeite o veto presidencial. Ou seja, 257 votos na Câmara e 41 no Senado. Se uma casa tiver maioria e a outra não, o veto ficará mantido.

    Se o governo conseguir reverter oito dos 48 votos que a dosimetria recebeu em 2025, o veto de Lula ao projeto que pode trazer benefícios para Bolsonaro seguirá vigente.

    Essa possibilidade é estudada através da oposição na Casa que, apesar dela, preserva a expectativa de que os 48 senadores vão manter o voto que escolheram no mês de dezembro, julgando que eventuais desgastes políticos ficaram em 2025, quando o voto foi público.

    Agora, nesta sessão conjunta, o voto é secreto.

    Do outro lado, integrantes da base do governo criticam a falta de articulação de Lula na Casa. Senadores da base disseram à reportagem, sob reserva, que não foram procurados pelos chefes do governo a respeito do veto da dosimetria.

    Existe também no Senado a avaliação de que o governo Lula não pode arriscar ver a relação com Alcolumbre piorar. Em 2025, depois da oficialização da indicação de Jorge Messias ao Supremo, o presidente do Senado passou a impor derrotas ao governo.

    A relação acabou melhorando com a virada do ano, mas ainda existe sequelas. Por exemplo, Alcolumbre cortou relações com o chefe de Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).

    Com informações Metropoles

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